Por que fazemos jornalismo devagar
O Reach nasceu de uma frustração comum. Éramos dois repórteres acostumados a publicar todo dia, em veículos grandes, e sentíamos que faltava alguma coisa. Não faltava velocidade — sobrava. Faltava tempo de escuta, tempo de voltar ao mesmo lugar, tempo de checar aquilo que ninguém checa porque a pauta já fechou.
Em 2022, largamos a rotina das redações e abrimos a revista. A ideia era simples: publicar menos e melhor. Uma reportagem longa por semana, no máximo. Sem pressa de entrar no algoritmo. Sem medo de chegar atrasado ao assunto.
Nosso método tem três passos que parecem óbvios e quase ninguém cumpre. Primeiro, ouvimos as pessoas no lugar onde elas estão, não onde é mais fácil chegar. Segundo, voltamos. Uma conversa não vira matéria. Terceiro, cruzamos o que ouvimos com dados públicos, mesmo quando eles confirmam o que já suspeitávamos — porque confirmar também é jornalismo.
Como nos sustentamos
O Reach é mantido por assinantes e por apoios culturais declarados. Não recebemos dinheiro de instituições públicas sobre as quais reportamos. Cada apoio vem com um acordo claro: sem acesso ao texto, sem direito de veto, sem leitura prévia.
Quando publicamos conteúdo de apoiadores — como o bloco em destaque na capa —, ele aparece com selo visível. Nunca entra na editoria de reportagens disfarçado de jornalismo.
Quem faz
Repórter há 12 anos, passou por dois jornais diários antes de fundar o Reach. Cobre cidades, desigualdade e políticas públicas.
Escreve sobre cultura e memória urbana. Mestre em comunicação, dá oficinas de narrativa em periferias de São Paulo.
Responsável por dados e verificação. Antes trabalhou em agência de checagem por seis anos.
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